Eu sei que comprar em brechó está na moda, mas ainda tem muita gente que tem preconceito com roupa de segunda mão, e como consultora de estilo que sempre incentiva o consumo consciente e pessoa que usa roupa de brechó, eu precisava falar sobre isso aqui!
Eu vou falar sobre roupa de segunda mão aqui e lá no meu instagram durante o mês todo, participando do projeto “Setembro de segunda mão” do Fashion Revolution, e se você se interessa por esse assunto, fica de olho pra não perder nada, tá?
E como eu comecei o texto falando sobre as pessoas que têm preconceito com roupa de segunda mão, vou começar a discussão do texto falando também sobre isso.
Preconceito com roupa de segunda mão
Eu até queria dizer que não entendo quem tem preconceito com roupa de segunda mão, mas a verdade é que eu sou muito politizada pra ignorar o fato de que comprar em brechó nem sempre foi considerado como “cool” por pessoas de classes sociais mais altas (e quando essas pessoas compravam em brechó, elas não contavam pra ninguém!), e como tudo que parece ser “coisa de pobre”, a roupa de segunda mão também não era algo que as pessoas se orgulhavam de usar.
Nesse texto, ao invés de teorizar profundamente sobre os motivos desse preconceito, eu trouxe algumas informações que podem te ajudar a perder esse preconceito!
1- Brechó de luxo
O que talvez essas pessoas não saibam é que brechó é diferente de bazar, e que existe brechó de luxo, especializado em marcas internacionais, que pode juntar o desejo de usar peças de grife e ser uma consumidora consciente, porque comprar em brechó vai além de pagar barato por uma peça.

Pra algumas pessoas, como eu, comprar em brechó tem um propósito muito maior, que é diminuir o impacto da moda no planeta, e se eu não posso fazer a diferença sozinha, eu uso a minha voz na internet pra educar as pessoas sobre esse assunto, convencendo mais pessoas de que usar roupa de segunda mão também pode te colocar num lugar bem legal nessa pirâmide social: o lugar de pessoas que consomem moda de forma consciente!
2- Roupas exclusivas
Sabe quando as pessoas falam sobre o “constrangimento” de usar uma roupa igual a de outra pessoa no mesmo evento? Isso vem da ideia de que a exclusividade não é pra todo mundo, e se você está usando algo que outra pessoa também tem, você não é tão especial assim. E pra quem gosta de exclusividade, o brechó é um prato cheio!

Você pode encontrar peças de outras coleções (que você não conseguiu comprar porque tinha uma quantidade de peças limitada, por exemplo), de marcas que não fabricam mais, que não têm loja no Brasil, etc., o que vai diminuir as chances de você encontrar alguém usando a mesma coisa e te colocar no lugar de quem usa peças que mais ninguém tem!
3- Roupa de brechó é sinal de qualidade
A roupa vintage de brechó ficou na moda por causa da modelagem diferente e também por ser de mais qualidade que as roupas de hoje em dia, e se você consegue comprar uma peça que tem 10 ou 20 anos em boas condições, essa é uma peça de qualidade – ou a pimeira dona da peça não ia conseguir revendê-la!
4- Roupa é de segunda mão não tem cara de roupa de segunda mão
Eu falo que estou usando roupa de brechó e marco até onde comprei quando posto o look lá no meu instagram, mas ninguém saberia dessa informação se eu não contasse!
Os melhores e maiores brechós têm uma curadoria muito boa – tanto pra definir as marcas que vai vender, quanto na seleção de peças, e as roupas estão sempre em boas condições de uso.
Preconceito com quem usa roupa de segunda mão
E além de as pessoas não comprarem roupa em brechó por terem preconceito, também tem gente que tem preconceito com quem usa roupa de segunda mão, e eu descobri isso através de uma cliente da consultoria de estilo, que achou o máximo eu não ter vergonha de falar que estou usando uma roupa usada lá no meu instagram quando eu posto os looks, e nem ter medo de não ser contratada por causa disso.

Moda também é sobre status social, né? E é claro que a consultora de estilo que usa roupa de brechó vai estar na base da pirâmide – onde o topo da pirâmide está as profissionais que usam as mesmas marcas das suas clientes, ambas cheias de dinheiro pra ostentar peças que a gente consegue comprar por menos da metade do preço depois que a marca troca a coleção (ou que a primeira dona não vai mais usar porque “todo mundo já viu ela usando essa peça uma vez” e por isso ela vai desapegar).
A gente pode dividir as pessoas em 2 grupos quando fala quanto pagou numa peça: quem acha legal dizer que gastou muito numa peça, e quem acha legal dizer que gastou pouco numa peça. Eu faço parte do segundo grupo – principalmente porque eu sei quanto custa fazer uma roupa e que qualidade nem sempre está relacionada ao preço da peça!

E por mim tudo bem que algumas pessoas não me contratem por esse motivo! A maioria das pessoas que me contrata, também me contrata por esse motivo, e identificação com a pessoa que você vai contratar pra te ensinar sobre moda e estilo é importante! Eu gosto da ideia de ser conhecida como a consultora de estilo que usa roupa de brechó / leva as clientes para comprar em brechó!
Você também precisa pesar na balança pra saber o que é mais importante pra você: a opinião do outro sobre o que você está usando ou comprar de uma forma que faz sentido pra você (pelo preço, pela peça, pelo consumo consciente, ou qualquer que seja o seu motivo). Isso também fala sobre quem você é!