Essa semana, quando o ministro Alexandre de Moraes apareceu no julgamento do Bolsonaro usando uma gravata azul e rosa cheia de cachorrinhos, muita gente achou que era apenas um detalhe curioso — ou, no máximo, uma escolha divertida.
Mas na moda — e na política — nada é por acaso, e eu, que sou consultora de estilo desde 2014, resolvi falar sobre a gravata do Xandão pra você ver que não foi só a escolha de um acessório fofinho. A gravata carregava uma mensagem silenciosa, que diz muito sobre o momento político do país e sobre como usamos roupas para nos comunicar.
Pra entender a mensagem por trás da gravata do Xandão a gente precisa entender sobre semiótica, que é o estudo dos sinais e símbolos, e é por aqui que eu vou começar.
O que é semiótica e por que ela importa na moda
Semiótica é a ciência que estuda os sinais, símbolos e a forma como eles comunicam algo, mesmo sem palavras, e na moda, tudo é símbolo. Na prática, isso significa que tudo comunica: cores, imagens, objetos, etc. A logo da Apple é um bom exemplo, que você pode lembrar / identificar no dia a dia, enquanto come uma maçã!

Quando escolhemos uma peça para vestir, estamos transmitindo mensagens — sobre quem somos, como queremos ser percebidos e até a que grupo pertencemos, quais são nossas posições políticas ou ideológicas.
A moda é uma linguagem, e entender semiótica é como aprender a decifrar o que ela está dizendo.
No caso de figuras públicas, esse cuidado é ainda maior. Presidentes, ministros e líderes políticos sabem que cada detalhe do visual será observado — e interpretado. É por isso que, muitas vezes, uma peça de roupa pode se transformar em um recado silencioso, tão forte quanto um discurso.
Pessoas que trabalham com a sua imagem em geral já aprenderam o poder da semiótica e da moda e usam isso a seu favor. Eu já fiz um texto aqui falando sobre como o cantor Louis Tomlinson (ex One Direction) fala sobre a sua sexualidade através das roupas com o queer coding, que nada mais é que usar códigos / símbolos queer para passar uma mensagem!

Aprender semiótica e entender que roupa comunica é importante tanto pra você comunicar o que quer, quanto pra evitar ter uma imagem diferente do que você gostaria!
A gravata do Xandão é um insulto que virou símbolo de poder
Algum tempo atrás, Roberto Jefferson, ex-deputado federal, fez uma declaração polêmica ao se referir ao ministro Alexandre de Moraes como “cachorro do STF”.

A expressão foi usada como uma tentativa de desqualificar e atacar o ministro, criando uma imagem negativa ao associá-lo a um animal submisso e obediente. Esse tipo de retórica não é incomum na política: desumanizar o outro lado através do deboche, usando apelidos ou símbolos, é uma forma de descredibilizar a pessoa e minar sua autoridade.
Por isso, quando Alexandre de Moraes apareceu no julgamento do Bolsonaro usando uma gravata cheia de cachorrinhos, eu percebi imediatamente a conexão.

Pra alguns pode parecer apenas coincidência, mas para quem entende de semiótica, a resposta é clara: foi uma resposta direta aos seus inimigos políticos!
“Alexandre de Moraes é o cachorro do STF”
A gravata do Xandão, a meu ver, ressignificou o insulto que ele recebeu. É como se ele tivesse pegado o símbolo que foi usado contra ele e transformado em um gesto de afirmação — quase uma provocação elegante, sabe? E a gente sabe que o Xandão é desses!
Podemos pensar assim: é como se, em vez de responder com um textão, ele respondesse com um meme — só que na forma de gravata. Essa atitude mostra o poder da comunicação não verbal.

O que antes era uma tentativa de humilhação virou um símbolo de força e proteção. Se o Roberto Jefferson tentou associá-lo a algo pejorativo, Alexandre de Moraes deu uma volta no jogo, como se dissesse: “Sou o cachorro do STF, sim — e estou aqui para proteger a democracia.”
A gravata do Xandão, cheia de cachorrinhos, então, não era apenas um detalhe estilístico. Era um ato político silencioso, carregado de significado.
Roupa comunica – e pode falar mais que mil palavras!
Eu sempre falo aqui e lá no meu instagram que estilo é mais que roupa, e esse episódio nos lembra que pensar no que vai vestir (independente de quantas pessoas vão te ver) não é futilidade. Cada escolha de roupa é um ato de comunicação sobre quem você é!
No dia a dia, isso pode se manifestar de forma mais sutil:
- A roupa que você usa para uma entrevista de emprego
- O look escolhido para um primeiro encontro.
- A camiseta que leva a estampa de uma banda, um protesto ou uma causa social, ou até mesmo uma frase ou imagem engraçadinha, como a gravata do Xandão.
É assim que você pode estar fazendo com que as pessoas tenham uma má impressão sobre você sem saber.
Esse episódio mostra, mais uma vez, que a roupa é política. Seja no ambiente corporativo, nas ruas ou no Supremo Tribunal Federal, aquilo que vestimos comunica quem somos e o que defendemos. E, às vezes, um detalhe aparentemente “fofinho” pode se transformar em uma declaração de resistência — ou, neste caso, em um símbolo de proteção à democracia.
Eu também falei sobre esse assunto lá no instagram, nesse vídeo:
Se você gostou desse conteúdo, me segue lá pra ver mais sobre isso e sobre o meu trabalho na consultoria de estilo! Sem anistia pra golpista! Bolsonaro na cadeia!