dress code religioso

Dress code religioso

Hoje, dia 21 de janeiro, é o dia nacional de combate à intolerância religiosa, e assim como todas as outras roupas que usamos, a roupa que as pessoas usam por causa de suas religiões também comunicam.

Apesar de não ter uma religião, meu papel como consultora de estilo que respeita todas as religiões é falar sobre como o preconceito começa no olhar do outro, quando o dress code religioso da outra pessoa é diferente.

Desde 2014 trabalhando com demandas diferentes de estilo pessoal das minhas clientes, eu já ajudei muitas mulheres a mostrarem o seu estilo apesar do dress code empresarial e dress code de eventos mais formais, como formaturas e casamentos, e a lógica por trás disso é a mesma quando a gente pensa em dress code religioso. Também vou contar o caso de uma cliente que é da Assembléia de Deus e eu atendi nesse contexto nesse texto!

O que é o dress code religioso?

Quando um dress code é definido, a ideia é evitar a inadequação, protegendo os dois lados – quem criou o dress code pensando na instituição ou evento, e na pessoa que vai precisar obedecer a esses códigos de vestimenta, que vai decidir o que vestir ou o que não vestir com mais facilidade.

Independente da religião, o dress code religioso é muito comum, e a liberdade religiosa que a gente precisa manter e respeitar passa pela liberdade de as pessoas poderem usar o que elas querem / precisam usar na prática da sua fé sem serem criticadas ou atacadas.

Tipos de dress code religioso

A gente tem uma grande diversidade de religiões no Brasil, e com certeza eu deixaria algo de fora se eu prometesse falar de todos os tipos de dress code religioso nesse texto, e essa não é a ideia. A ideia é mostrar que é possível respeitar a complexidade de uma religião diferente da sua numa sociedade com sincretismo religioso, ao invés de rotular a pessoa pelo que ela veste em respeito à sua fé.

O que é comum ver as mulheres usando em diferentes tipos de religião que temos no Brasil:

  • Assembleias → saia longa, recato e modéstia, feminilidade controlada
  • Catolicismo tradicional → véu, modéstia, silhueta mais apagada
  • Islamismo → hijab, abaya, niqab (com significados e graus diferentes)
  • Judaísmo ortodoxo → tzniut, mangas longas, cabelo coberto
  • Religiões de matriz africana → roupa branca

Eu comemoro todas as vitórias femininas nos esportes, por exemplo, e já falei aqui de quando foi permitido o uso do hijab na Copa do mundo de futebol feminino em 2023, para permitir que as atletas não fossem prejudicadas por causa do uniforme, e que essas mulheres não desistissem do esporte por causa do dress code religioso – e essa é a moda que eu gosto de ver!

nikewoman hijab

Independente do que você acredita ou do que você acha bonito ou feio num look, todo mundo tem o direito de existir visualmente sem ser atacada por causa da sua fé.

A cliente da Assembléia de Deus que não queria ter “cara de crente”

Uma vez, em 2021, uma cliente da Assembleia de Deus me procurou com um pedido muito específico:
“Eu preciso usar saia, mas não quero ficar com cara de crente“. Eu falei sobre como não ficar com cara de crente nesse texto aqui!

Não usar calça comprida é um dos requisitos do dress code dessa denominação, e assim como acontece com as clientes que precisam obedecer a qualquer outro dress code, ela me procurou pra manter a identidade dela enquanto continuava respeitando a doutrina e usando os códigos que faziam ela ser reconhecida como pertencente àquele grupo.

Ela não estava rejeitando a fé. O problema não era a saia, era o imaginário social / estereótipo colado naquela roupa.

O estilo pessoal não serve pra apagar identidades, e sim para criar espaço de existência dentro delas, e o meu trabalho como consultora de estilo foi dar mais repertório pra ela, mexendo em outros elementos que a gente podia mexer. Ela não podia usar calça comprida, então as saias e vestidos deveriam ser mais interessantes (pensando na ideia de “roupa de crente da cliente, não na minha!).

Sugeri mais cores, texturas, estampas e modelagens diferentes, além de combinações que ela não estava acostumada a usar com as roupas que ela já tinha.

dress code religioso - estilo pessoal

Eu gosto de trabalhar de forma bem clara com as minhas clientes e falei pra ela que apesar de ela notar bastante a diferença nos looks, podia ser que ela continuasse com essa sensação / preconceito, mas a outra opção era ela ir para uma igreja que tivesse um dress code religioso mais flexível, e essa não era uma opção!

Essa é uma dica que vai além dessas questões envolvendo dress code, porque isso também ajuda a resolver problemas gerais na hora de montar looks: pensar no que você não quer mexer (quero um look colorido, quero usar preto, quero ir de vestido, quero usar um decote, etc), e aí sim mexer nos elementos que você pode!

Eu também dou outras dicas lá no meu instagram, e se você gostou de como eu falo sobre moda e estilo pessoal, me segue lá também!

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Priscila Citera

Apaixonada por pessoas e por moda, resolvi unir a Psicologia e 12 anos de experiência em recursos humanos com a formação em Consultoria de Estilo pela Oficina de Estilo, e desde 2014 ajudo mulheres e homens desse mundão todo a transformarem personalidade em looks e roupas em representação da personalidade, sem que eles precisem gastar muito!