O filme “O diabo veste Prada 2” estreia na próxima semana e está fazendo até quem não gosta de moda falar sobre isso.
Foi nesse contexto que eu tive que falar sobre a cena icônica do filme onde a Miranda fala sobre a cor azul cerúleo com a Andy, dando uma verdadeira aula de moda, tanto pra Andy quanto pra todo mundo que está assistindo ao filme.
E apesar de já ter passado tanto tempo do filme (2006), o vídeo que eu vi no Tik Tok me fez perceber que ainda precisava fazer esse texto aqui falando sobre o que o azul cerúleo pode nos ensinar.
Miranda, Andy e o azul cerúleo
A cena acontece ainda no comecinho do filme, quando a Andy e a editora de moda Miranda Priestly estavam em uma reunião para seleção de roupas.
Andy ainda se sentia superior às outras pessoas da equipe por não fazer ver tanta importância no mundo da moda, e dá uma risadinha enquanto dois cintos aparentemente idênticos são discutidos.

Miranda percebe o desprezo sutil da assistente e desmonta a atitude dela sem elevar a voz, mas num monólogo cheio de ironia.
Ela explica que o suéter azul que Andy está usando não foi uma escolha aleatória de brechó, mas sim um resultado da influência da indústria da moda:
“No entanto, este azul representa milhões de dólares e incontáveis empregos, e é meio cômico como você pensa que fez uma escolha que a exime da indústria da moda, quando na verdade está usando um suéter que foi escolhido para você pelas pessoas nesta sala, a partir de uma pilha de coisas.”
Miranda descreve como a cor azul cerúleo apareceu primeiro nas passarelas de grandes estilistas, depois foi adaptada por outros designers, chegou às lojas de departamento e, por fim, foi parar no brechó onde Andy comprou o suéter azul dela — anos depois.

O discurso que eu fiz lá no story do instagram foi uma recriação do discurso da Miranda, pra mostrar como a moda influencia até quem “não liga” pra ela.
Eu contei aqui esses dias que o motorista da Uber ficou visivelmente incomodado com o fato de eu trabalhar com algo “tão fútil quanto a moda”, e esse é o discurso de quem ainda não percebeu a importância da moda e que mesmo quem não gosta de moda usa moda e é influenciado por ela. Nesse texto eu trouxe 7 argumentos pra provar que gostar de moda não é fútil!
O fluxo das tendências
A cena do azul cerúleo é um ótimo exemplo de como o fluxo das tendências funcionam:
1- Surge nas passarelas (alta moda).
2- É reinterpretado por outros designers.
3- É adaptado para o prêt-à-porter.
4- Finalmente, chega às lojas populares e brechós.
O que a Andy (e todas nós) veste é o resultado indireto de decisões criativas e mercadológicas tomadas anos antes por pessoas como a Miranda.
Teoria da Disseminação de Inovações de Everett Rogers
É a teoria de 1962 que descreve como novas ideias, produtos ou tendências se espalham em uma sociedade. Rogers divide o processo em 5 grupos:
1. Inovadores – Os primeiros a experimentar algo novo. Nesse caso, os grandes estilistas que lançaram o azul cerúleo nas passarelas (ex.: Oscar de la Renta, Yves Saint Laurent).
2. Adotantes iniciais – Influenciadores que validam e espalham a novidade: revistas de moda, celebridades e trendsetters que validaram a cor.
3. Maioria inicial – Adoção mais ampla, mas ainda de forma seletiva: Lojas de luxo e marcas de médio porte que adaptam a tendência para consumidores com maior poder aquisitivo.
4. Maioria tardia – Pessoas que só aderem quando já é comum: Lojas de departamento que produziram peças mais acessíveis.
5. Retardatários – Últimos a adotar, muitas vezes por resistência ou falta de acesso: Brechós e consumidores que compram anos depois (como a Andy), e acham que sua escolha foi aleatória!
E é importante a gente perceber que quando a gente está usando uma “tendência”, pessoas influentes e ricas, que tiveram acesso a elas muito antes de nós, já estão usando outras coisas – que a gente só vai usar algum tempo depois!
O azul cerúleo
E engana-se quem acha que o azul cerúleo está fora de moda desde 2006, quando o filme foi lançado! Em 2023 essa foi uma das cores mais quentes da temporada!

O azul cerúleo “não é turquesa, não é lápis, é cerúleo”, como explicou a Miranda Priestly. E a diferença está no fato de ser um azul aceso, que traz um toque divertido e ousado para o look. Quem tem cartelas de primavera (coloração pessoal) pode investir com tudo!