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o que é ser brega e o que é ter bom gosto

O que é ser brega em 2025? E ter bom gosto?

Eu sou consultora de estilo desde 2014, e vou começar esse texto já com um spoiler sobre como eu penso e trabalho: TODO conceito (na moda) é subjetivo, e rotular alguém de acordo com a forma como ela se veste tem muito pouco a ver com as roupas dela!

É óbvio que a gente vê um monte de “experts de moda” falando sobre quem tem bom gosto na hora de se vestir, e o que não é pra usar pra não ser brega, e um monte de fatores que influenciam esse pensamento coletivo, e esse texto também é sobre a minha visão sobre esses termos (e algumas teorias) – não pra te convencer, mas pra te fazer pensar.

Eu fiz um texto parecido sobre o termo “sexy sem ser vulgar”, que eu também falo sobre esses rótulos que usamos sem perceber para falar do estilo pessoal de alguém, e acho que vale a pena você ler também!

O que é ser brega e ter bom gosto?

Ser brega não necessariamente é o contrário de ter bom gosto. Vou usar o termo cafona como sinônimo de ser brega, e ser estiloso como sinônimo de ter bom gosto, ok? E, de novo, é importante dizer que na maioria das vezes, esses termos são usados para falar da pessoa que está usando as roupas, e não sobre as peças que ela escolheu. Vou dar um exemplo que já usei nesse post do instagram e é fácil de visualizar:

ser brega e ter bom gosto em 2025

Quando comparamos o estilo do Agostinho Carrara com o estilo do Harry Styles, geralmente falamos que usar mix de estampas é cafona para se referir ao Agostinho, porque essa é uma característica mais comum no pobre, e ser estiloso é uma característica mais atribuída a quem é rico.

Outro exemplo disso é o famoso “look com cara de rica” e tendências como o “quiet luxury”, que é sobre quem tem acesso a essas peças, e não sobre as peças. Entende?

look com cara de rica

Esse pensamento nem sempre é por maldade ou preconceito, tá? É o que a gente chama de inconsciente coletivo, e eu gosto de trazer essas coisas para o consciente pra você conseguir entender o que é seu e o que é coletivo e automático quando falamos de estilo pessoal – já que eu sou consultora de estilo e psicóloga!

O que é ser brega?

O que parece ser cafona ou brega em 2025 pode não ser mais em 2028, e pode não ter sido considerado assim em 2019, porque esses conceitos também variam de acordo com o que está na moda e os nossos conceitos de beleza.

Uma tendência que eu posso citar sobre o conceito de ser brega é o “Bloke core”: As camisas de time de futebol sempre foram usadas por pessoas periféricas no Brasil, mas quando pessoas mais fashionistas e ricas (como a Malu Borges, que também é vascaína!) começou a usar, isso passou a ser uma coisa legal e bonita, e até mesmo uma roupa adequada pra usar em qualquer lugar, no mundo todo.

como aderir ao bloke core - camisa de time no look feminino

Óbvio que tem gente que vai continuar não usando e continuar achando cafona ou brega mesmo estando na moda, mas a ideia é você entender que usar camisa de time pra sair deixou de ser brega no momento que alguém “relevante” disse que era legal ou certo e que apareceu na passarela e vitrines de marcas de luxo, como a Balenciaga.

Brega também pode ser um adjetivo de quem não segue a moda, ou continua usando algo que já saiu de moda, porque essa pessoa se destaca do resto das pessoas e do que está sendo considerado certo ou bonito naquele momento. Em 2025, é brega ter tatuagem e quem continua fazendo outras (como eu!) ou não remove as que já tem (como muitos famosos estão fazendo), está fora de moda, deselegante ou cafona. Também falei sobre isso lá no instagram:

O Harry Styles tem várias tatuagens, e eu duvido que ele vá removê-las, porque é coerente com o estilo pessoal e a personalidade dele. Mas precisamos lembrar que ele é homem, branco, cis e rico, e no “corpo certo”, nada é cafona ou errado.

O que é ter bom gosto

Muitas pessoas acreditam que a consultoria de estilo é pra quem não tem bom gosto ou não tem estilo, mas a verdade é que todo mundo tem estilo (pessoal e não universal, e por isso que eu não uso a teoria dos sete estilos universais no meu trabalho) e e o seu gosto pessoal, que pode ser diferente do gosto da pessoa que te rotulou como alguém brega, cafona ou sem estilo.

Em 2025, ter bom gosto é se parecer com a maioria das pessoas e seguir as mesmas regrinhas. É escolher estar no padrão ao invés de mostrar alguma autenticidade, copiando o bom gosto alheio, sem entender que a mesma roupa em corpos diferentes e contextos diferentes, vista por pessoas diferentes, não vai passar a mesma mensagem (e nem ser vista como “uma igual), porque isso não é só sobre a roupa.

estilo pessoal e autenticidade

Quem viu a série “Sex and the City” sabe que as quatro personagens tinham estilos diferentes, e mesmo que elas escolhessem o tal “vestidinho preto indefectível” (que na verdade não é tão indefectível assim), cada uma usaria a peça que fizesse sentido para o estilo pessoal delas.

estilo pessoal e bom gosto sex and the city

Eu gosto de usar o exemplo delas porque moda é uma forma de expressar a nossa personalidade, e cada uma delas expressava o seu bom gosto de uma forma diferente! Não existe certo e errado pra todo mundo, e por isso não existe “ter bom gosto” ou “ser brega” de forma tão genérica quanto querem que a gente pense pra consumir tudo que a moda oferece o tempo todo.

Moda é oferta e estilo pessoal é escolha – tanto o que você escolhe usar, quanto o que você escolhe não usar, e essas escolhas vão depender de quem você é e do repertório que você tem sobre você mesma, sobre moda e sobre o seu estilo pessoal.

Ter bom gosto ou ser brega é questão de estilo pessoal

Pra finalizar, é importante dizer que quando colocamos esses rótulos (ou qualquer outro, como eu citei o “sexy sem ser vulgar”) é de acordo com a nossa régua, com o que a gente acha que é certo e errado, bonito ou feio, cafona ou estiloso, etc., e que a outra pessoa também tem a sua própria régua – e se vestiu de acordo com ela.

Eu sou consultora de estilo desde 2014 e quando indico algo para as minhas clientes, é independente do meu gosto pessoal, porque a minha régua é usada para as minhas escolhas, sobre o que eu gosto e quero vestir. As pessoas não me contratam por causa do meu estilo pessoal e porque querem se parecer comigo, e sim porque além de ter todas as técnicas que eu preciso, eu vou respeitar o estilo pessoal e a personalidade de cada um dos meus clientes.

Eu também falei sobre isso nesse post sobre a Anitta – que me fez perder mais de mil seguidores no instagram, porque mesmo que eu não use esse tipo de roupa, eu vou defender o direito que ela tem de usar se quiser – ou for paga pra usar, como foi o caso. E faria isso mesmo sem ser consultora de estilo, e a ideia é que todo mundo pensasse assim também.

Não cabe às outras pessoas dizer se alguém tem estilo e o que é ser brega ou não para todo mundo. As pessoas são diferentes e ainda que existam pessoas que vão te achar brega por ser diferente, também vão ter muitas outras que vão te achar estilosa pelo mesmo motivo.

E se você não vai agradar a todo mundo de qualquer forma (porque ninguém nunca vai!), porque não passar por isso sendo quem você é? Eu posso te ajudar nisso, me manda uma mensagem por aqui!

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Priscila Citera

Apaixonada por pessoas e por moda, resolvi unir a Psicologia e 12 anos de experiência em recursos humanos com a formação em Consultoria de Estilo pela Oficina de Estilo, e desde 2014 ajudo mulheres e homens desse mundão todo a transformarem personalidade em looks e roupas em representação da personalidade, sem que eles precisem gastar muito!