A ideia desse texto (que foi escrito em 2022, em época de eleição e perto do dia do Consumo Consciente, que é dia 15 de Outubro) é te fazer ver como consumo consciente e política estão relacionados, e qual é o nosso papel nisso – incluindo o que a gente pode fazer!
Mesmo agora, em 2025 (quando eu revisei o texto), tudo que está aqui continua relevante e atual!
Quem acompanha o meu trabalho na internet, seja aqui no site ou lá no meu instagram sabe que eu sou uma consultora de estilo super entusiasta do consumo consciente, sempre levo minhas clientes para conhecerem e comprarem em brechó na etapa de compras e compartilho o máximo de informações possíveis sobre o assunto.
Consumo consciente e política: Um assunto diário
Não dá pra começar esse texto sem dizer que tudo é política e que falar sobre consumo consciente e política tem tudo a ver com o meu trabalho, né? Originalmente eu fiz esse texto na época da eleição e do dia do consumo consciente, mas falar sobre isso é importante todos os dias!
O dia do consumo consciente (15 de Outubro) foi estabelecido em 2009, e nesse dia a ideia é entender como a gente pode mudar a forma como compramos, consumimos e descartamos as coisas (eu falo especialmente de roupas, mas consumo consciente engloba tudo que a gente consome) para a preservação do nosso planeta.
O consumo consciente é uma questão individual que impacta o coletivo, e por isso é um assunto coletivo. Isso significa que a gente tem que fazer a nossa parte e ajudar a educar outras pessoas para que elas também façam a parte delas, por que fazer a nossa parte é importante e é MUITA COISA, mas não é suficiente.
Como consumo consciente e política estão relacionados?
Por ser uma questão coletiva e global, consumo consciente e política estão muito ligados. É o governo que tem a responsabilidade de administrar e supervisionar como as coisas são produzidas, vendidas, consumidas e descartadas. De outro lado, estamos nós, responsáveis por eleger alguém que pense nessas questões, além de consumir de forma consciente também.
Quem me segue e acompanha o meu trabalho também sabe que eu sou engajada nas questões políticas e sempre me posiciono politicamente, e já falei aqui que moda também é sobre política, e se você ainda não leu esse texto, abre numa outra aba pra complementar essa leitura!
Eu vou mostrar a seguir 4 coisas que ligam consumo consciente e política e talvez você nunca tenha pensado:
1- Quem faz as suas roupas?
Todo ano desde que me tornei consultora de estilo (2014) eu participo e falo sobre a fashion revolution week, que é um movimento mundial que acontece desde o acidente em Bangladesh que matou milhares de trabalhadores da moda em condições precárias, para a gente falar sobre a necessidade de essas pessoas terem os seus direitos trabalhistas garantidos e que tenha regulamentação e supervisão da forma de produção das roupas.
Perguntar quem faz as suas roupas é uma forma de valorizar o trabalho das costureiras e outros milhões de profissionais da indústria da moda.
Quando a gente vê quem faz as nossas roupas, a gente tá dando visibilidade e valor para essas pessoas, e além de humanizar o processo, a gente pode ver quais empresas “não podem” mostrar os seus funcionários!
2- De onde vem as suas roupas?
Como eu trabalho com moda, já sei quais são os países que mais produzem roupa e como cada país lida com as questões trabalhistas, sociais e ambientais que envolvem a moda. Essa informação está na etiqueta de cada peça, e você também deve olhar essa informação ao comprar roupa!
Exemplo: Apesar desse acidente em Bangladesh e desse movimento mundial que faz os olhos se voltarem pra lá, as condições de trabalho e a forma como é feito o descarte têxtil lá não são os ideais (apesar de já terem melhorado!).
A foto acima mostra o desabamento dedifício Rana Plaza, onde aconteceu o acidente em 2013, matando mais de 1.200 trabalhadores e ferindo outras 2.500 pessoas.
Você sabe como o governo lida com as questões ambientais no Brasil? Como é feita e supervisionada a extração de petróleo, o plantio de algodão, bambu e outras fibras naturais que vão virar tecido, como é o uso de agrotóxico?
Eu falei sobre a relação da moda e o agronegócio nesse outro texto, que também vai te ajudar a pensar sobre consumo consciente e política como coisas que andam juntas.
3- Pra onde vai a sua roupa?
Como eu falei lá em cima, o consumo consciente não acaba na compra, e pensar pra onde vai a sua roupa também faz parte desse movimento, que tem a nossa parte, como consumidor, e a parte governamental.
É o governo que administra, regula e supervisiona quem cuida (ou deveria cuidar) da limpeza de oceanos (que também recebe muito lixo e microplásticos das roupas de praia), de como é feito o descarte das roupas e dos resíduos têxteis e da reciclagem dos resíduos da indústria da moda – que é a segunda mais poluente do mundo.
Somos nós que consumimos as peças que as empresas vendem, e nós que descartamos de forma errada o que a gente não quer mais. Não adianta falar mal do governo e não fazer a nossa parte. Consumo consciente e política são assunto e responsabilidade de todo mundo!
Eu falei sobre onde comprar biquíni biodegradável (que não solta microplásticos nos oceanos e cachoeiras) nesse outro texto, e se você gosta de carnaval, dá uma lida sobre glitter biodegradável aqui também!
4- O que o meu candidato pensa sobre essas questões?
Por último mas não menos importante (muito pelo contrário!), você precisa saber o que o seu candidato pensa sobre essas questões, e se ele tem alguma solução para esses problemas no seu plano de governo, e votar de acordo com o que você pensa sobre consumo consciente e política, como eu fiz em 2018 e 2022, votando contra o Bolsonaro!
Como eu falei nos outros 3 itens anteriores, consumo e política estão ligados desde a matéria-prima até o descarte, e por isso votar certo é tão importante. Pra ajudar, eu trouxe aqui algumas informações sobre o que Lula e Bolsonaro fizeram pela indústria da moda:
- A indústria da moda emprega mais de 1 milhão e meio de trabalhadores diretamente e mais de 8 milhões de pessoas de forma direta (de acordo com os dados de 2020 da Associação Brasileira da Indústria Têxtil), sendo 75% mulheres! Ter mão de obra barata e análoga do trabalho escravo dá lucro para essas empresas e tira a dignidade e os direitos dos trabalhadores.
- Em 1995, no governo do Fernando Henrique Cardoso, o Ministério do Trabalho começou a fiscalizar essas empresas, mas foi só no governo do Lula que a fiscalização aumentou e ficou mais efetiva.
- Durante o governo do FHC, mais de 5 mil pessoas foram resgatadas do trabalho análogo ao trabalho escravo, enquanto durante o governo do Lula quase 33 mil pessoas foram resgatadas do trabalho escravo (6x mais, no mesmo período de governo).
- Lula também lançou o segundo plano nacional de erradicação do trabalho escravo, com estratégia para resgatar pessoas desse cenário e reinserir essas pessoas no mercado de trabalho.
- Bolsonaro, em 2019, disse que a fiscalização trabalhista era exagerada e além de tirar a autonomia do órgão, reduziu pela metade a verba para manter a fiscalização em 2021.
- Em 2022, pouco antes da eleição, Bolsonaro não assinou a carta de compromisso contra a escravidão, e o Lula assinou.
Eu estou fazendo a minha parte como cidadã, e como consultora de estilo, trazendo informações sobre consumo consciente e política pra quem quer entender sobre o assunto também! Vamos juntos!