Se você vai comprar alguma coisa nessa Black Friday (que acontece todo ano, em novembro – muitas vezes durante o mês todo, ao invés de só na sexta-feira, como começou nos EUA), aqui no site e lá no meu instagram tem um monte de dicas pra você comprar certo, mas dessa vez estou trazendo dicas para você resistir à Black Friday!
Eu sou consultora de estilo desde 2014 e apesar de essas dicas servirem pra você conseguir resistir à Black Friday e evitar qualquer tipo de compra, vou focar em itens de moda, tá?
Como resistir à Black Friday
Resistir aos gatilhos mentais é a primeira e maior dica aqui, já que o marketing usa de vários gatilhos mentais para te convencer de fazer uma compra, e conhecendo um pouco desses gatilhos, fica mais fácil resistir à Black Friday:
1- Gatilho de escassez
Quem veste PP e 34 (e calça 33 rs) como eu, vive num eterno gatilho de escassez porque a maioria das marcas não tem peças nessa numeração e quando tem, a quantidade de peças é bem pequena.
Isso já me fez comprar por impulso e me arrepender várias vezes. Eu sabia que se eu fosse dar uma volta no shopping para pensar se ia comprar ou não aquele item, eu poderia voltar pra loja e não encontrar mais a peça lá, e aí, diante dessa possibilidade, eu decidia comprar sem pensar melhor – se eu queria mesmo aquele item e se aquilo ia funcionar no meu guarda-roupas.
Quando as marcas falam “últimas unidades”, “peça única”, “não vai ter reposição” ou qualquer outra coisa pra te fazer pensar que aquela peça é escassa, dispara em você uma necessidade de não deixar essa oportunidade passar, e com os descontos e peças apenas em alguns tamanhos, pode ser difícil resistir à Black Friday assim.
2- Gatilho de Urgência
Quando uma marca divulga “Tudo com 50% de desconto só até 23:59h de hoje” ela está ativando o gatilho de urgência em você, fazendo você pensar que precisa tomar uma decisão urgente para não perder essa grande oportunidade.
Quanto menos tempo você tiver para pensar, maiores são as chances de você tomar uma decisão errada e se arrepender depois.
A Black Friday também acontece online, e o envio de emails (newsletter) e anúncios nas redes sociais podem fazer você entrar no site da loja, mesmo tendo se programado para não comprar nada.
3- Pertencimento
Todos nós temos necessidade de pertencimento (a psicologia explica), e a moda usa isso para vender.
Quando o instagram ou o facebook manda para o seu feed uma foto de alguma famosa usando o vestido que você acabou de colocar no carrinho da loja online (mas decidiu pensar um pouco mais antes de comprar), o algoritmo está te mostrando que aquela pessoa tem algo que você pode ter também, e faz você ter o impulso de comprar, para pertencer / fazer parte do “grupo de pessoas que usam aquela peça ou aquela marca”, que te faz sentir, inconscientemente, que vai ter, também, a vida dela.
Um caso de grande repercussão foi o conjunto com calça de alfaiataria, blazer e top com estampa verde e xadrez que a Manu Gavassi usou no BBB em 2022 e que a Bruna Marquezine usou para fazer a campanha de votação para ela nas redes sociais.
As peças eram vendidas pela marca Lebôh e apesar de custar R$540, esgotou rapidamente porque muitas mulheres queriam ter o mesmo look delas, e consequentemente, parecerem tão bonitas, bem sucedidas e felizes como elas. Como resistir à Black Friday com apelos como esses, né?
4- Reciprocidade
De vez em quando acontece de eu presenciar essas coisas acontecendo com as minhas clientes, como foi com uma cliente da consultoria de estilo presencial aqui no Rio: Ela queria um sapato azul marinho (tava na listinha que eu fiz pra ela pra comprar, pra ter alguma opção em cores neutras coloridas), e quando ela comprou e me mostrou, eu falei pra ela que ela já tinha um IGUALZINHO na cor preta, e que ela não deveria ter comprado, porque não era legal ter duas peças iguais, só em cores diferentes.
Como ela calça 32, não tinha muitas outras opções de sapatos nessa numeração, e depois do meu feedback, ela pediu pra loja online segurar um pouco o pedido pra ela decidir o que ia comprar pra substituir. Eles foram tão legais e compreensivos, que ela resolveu comprar um sapato que não precisava, só pra retribuir a gentileza deles, porque “achou injusto não comprar nada e ter feito eles perderem tempo”. Entende o gatilho de reciprocidade funcionando aqui?
Sabe aquela vendedora boazinha que te manda toda semana as novidades e te avisa quando tem peças do seu tamanho? Ou avisa que clientes especiais como você vão ganhar um brinde nas compras acima de tal valor? Isso dispara um gatilho mental em você, e faz você comprar, e na Black Friday é o tipo de coisa que funciona super bem para eles alcançarem as metas de vendas!
Erros que você deve evitar na Black Friday
Eu sempre falo sobre Black Friday aqui no site porque o consumo consciente é uma das pilastras do meu trabalho como consultora de estilo, e num desses textos eu dei uma lista de coisas que você precisa avaliar e pensar antes de comprar roupas na Black Friday, desde o seu estilo pessoal e necessidades / demandas do seu guarda-roupas, até como calcular o custo benefício das peças, que eu também ensinei lá no meu instagram:
Um erro comum, que já fez a Black Frday ser chamada de “Black Fraude” é não pesquisar o preço da peça antes da promoção, pra saber se ela realmente teve o preço remarcado, e se realmente é uma boa oportunidade para comprar esse item.
Ter uma listinha de compras (com o que você quer e o que você precisa) ajuda bastante à resistir à Black Friday e evitar compras por impulso, porque você não vai entrar no site pra ver o que tem de interessante e barato e comprar porque gostou, e sim, comprar o que você já estava querendo, e vai aproveitar o preço reduzido para comprar. Entende a diferença? Espero que essas dicas tenham te ajudado!