O poliéster é considerado o vilão da indústria da moda, já que é uma das matérias-primas mais usadas e o impacto ambiental gerado pelo resíduo têxtil com peças feitas com essa fibra é bem grande.
Mas, assim como todas as outras fibras têxteis, ele também tem muitos pontos positivos e oferece alguns benefícios, e por isso eu indico para as minhas clientes da consultoria de imagem e estilo quando usar poliéster é uma boa ideia e vou te ensinar a fazer essa avaliação também.
O que é o poliéster?
O poliéster é a fibra sintética mais usada na indústria têxtil em todo o mundo (infelizmente!) e estudos de 2017 mostram que a sua produção requer 70 milhões de barris de petróleo todos os anos.
Essa fibra é da família dos polímeros, e foi desenvolvida em 1941, mas só foi usada em roupas em meados dos anos 50 (logo após a segunda guerra, por causa da sua fácil manutenção e praticidade – como vou falar a seguir), e provavelmente ainda existem peças dessa época, já que esse material demora mais de 200 anos para se decompor.
Quando usar poliéster?
Apesar de mostrar sempre lá no meu instagram o depoimento das minhas clientes da consultoria de estilo dizendo que não compraram alguma peça depois de ver na etiqueta de composição que tinha um grande percentual de poliéster, geralmente é no contexto que o poliéster não é a melhor opção, como num vestidinho ou blusa de verão, por exemplo.

Mas, isso não significa que eu não indico essas peças para todas as minhas clientes, e nem que eu não tenha peças de poliéster, e sim que eu ensino quando que essa fibra é a melhor opção – que é o objetivo desse texto.
As roupas de poliéster são indicadas para:
- roupas de frio
- pashminas (lenço retangular grande, que também pode ser feito de outras fibras)
- pijamas de inverno (como o pijama americano, que tem calça comprida e blusa de manga)
- casacos corta-vento
- capa de chuva
- roupas esportivas (especialmente se for poliamida de poliéster, porque deixa o corpo respirar). Se for o caso, vai estar indicado na etiqueta.
- roupas de meia-estação (em composição mista, com um percentual de poliéster junto de outras fibras , como o algodão, o linho e a viscose, por exemplo)
- levar nas malas de viagem (porque é uma fibra que amarrota pouco)
- roupas em modelagens mais amplas / largas para os dias mais quentes
Nessas fotos abaixo, eu estou usando uma puffer jacket de poliéster, e nesse texto sobre como usar essa peça, você consegue ver os benefícios desse tecido nesse tipo de peça!

Essas indicações acontecem por causa dos benefícios do poliéster. São eles:
- durabilidade. Se você precisa comprar uma peça que dure porque você vai usar muito (como roupa de trabalho, casacos e roupas esportivas, por exemplo), vale a pena investir em peças que sejam ou tenham essa fibra na composição.
- podem ser penduradas no cabide (inclusive na hora de secar, para não precisar passar), porque não deformam e nem “crescem”, já que não tem elastano.
- de fácil manutenção. As peças amarrotam pouco e são super fáceis de passar, porque essa fibra é mais resistente à rugosidades.
- não encolhe e não desbota.
- esquenta mais e evita a passagem de vento (por isso é ótimo para as peças de inverno)..
- seca mais rápido.
Ano passado, depois daquela enchente no Rio Grande do Sul, eu postei esse vídeo lá no meu instagram pra explicar porque doar peças de poliéster para as pessoas que tinham perdido tudo e estavam com frio em uma época que a chuva não parava:
Consegue perceber porque é importante entender sobre tecidos?
Existem tipos diferentes de poliéster
Essa fibra foi criada para imitar a seda e ser uma opção mais barata dela, e por isso tem tipos diferentes de poliéster (assim como tem tipos diferentes de algodão), com características e preços diferentes.

Para saber qual é o melhor tipo, é simples: basta comparar com as características da seda (o brilho, o toque e a maciez). Quanto mais parecido ele for, mais qualidade (e mais caro). O que garante essa qualidade é a forma de fazer o fio (ainda na fiação), e o tecido, na tecelagem.
Poliéster reciclado
Com a evolução da indústria da moda e o comprometimento das marcas com o meio ambiente, já é possível encontrar peças feitas com poliéster reciclado (inclusive na coleção sustentável da Shein em collab com a Anitta, que eu mostrei nesse texto).

Essa fibra foi desenvolvida usando as garrafas de água de plástico transparente, ou PET como matéria-prima. O tecido mais comum é o fleece, que é um tecido de malha bem quentinho, frequentemente usado para fazer moletons.
Espero que tenha te ajudado com esse texto a entender quando usar poliéster ou escolher outra fibra. Nesse outro texto eu falo o que você precisa saber sobre os tipos de tecido – parte do que eu ensino para as minhas clientes na consultoria de estilo. E se precisar da minha ajuda, me manda uma mensagem que eu te ensino a comprar melhor!